segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Amor sem Escalas

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Relacionando o filme “Amor sem Escalas” ao Terceiro Setor

“Amor sem Escalas”, lançado em 2009 nos EUA, sob a direção de Janson Reitman, é um filme que tem como ator principal George Clooney interpretando Ryan Bigham, executivo de uma empresa terceirizada que gasta o tempo de seu trabalho viajando pelas grandes cidades de seu país, prestando serviço a outras companhias, demitindo de forma fria e calculista o contingente de empregados (que se consideravam essenciais para o bom andamento da empresa da qual faziam parte, não imaginando eles, que poderia vir por parte da própria, um proceder tão vil). Não era dada oportunidade para os trabalhadores reivindicarem seus direitos. E por não ter vínculos com a empresa, Ryan ouvia de cada operário palavras de indignação por tamanha injustiça e ingratidão, e buscando retirar da companhia a responsabilidade, colocava nas mãos destes, um manual como meio de acalmá-los evitando assim que chegassem ao desespero, afirmando que se seguissem as regras ali expostas, poderiam ser bem sucedidos e consequentemente encontrariam a felicidade. Exemplo nítido do modo que o capitalismo age, ultrapassando a esfera da produção, perpassando a esfera da vida social sem que as pessoas percebam o quanto são submetidas à sua lógica, assumindo em sua vida cotidiana o individualismo, o espírito competitivo e a vontade de ascender socialmente para obter bens materiais, assegurando com isso a legitimação do capitalismo até mesmo em termos culturais.
É contextualizada a sociedade contemporânea emergente, do período da decadência da era dos “Anos Gloriosos/Dourados”, final da década de 70 e os anos 80 quando se aproveitando da crise, o neoliberalismo amplia-se e legitima-se, implementando suas políticas em âmbito quase que mundial, exceto em poucos países (Cuba, China, Coréia do Norte etc.) metamorfoseando o mundo do trabalho, “desqualificando e desespecializando” aquele operário industrial oriundo do modo de produção fordista e em decorrência surge os “trabalhadores multifuncionais” introduzidos pelo sistema toyotista (Coriat, l992b: 41 in Antunes, 1985) com a expansão do desemprego estrutural a atingir nações capitalistas. Momentos de grandes transformações e adequações por parte dos setores econômicos, políticos e sociais. As distâncias e o tempo são encurtados através do espraiar da informática. Para as indústrias não há limites territorial ou nacional, é a busca de maiores lucros e corte de gastos, com a incorporação revolucionária de tecnologias tendo como objetivo “eliminar completamente o trabalho manual” das indústrias japonesas até o final do século (Schaff, 1990:28, in Antunes, 1985), desvalorizando e descartando uma grande massa de operários a engrossar ainda mais a camada subproletariada, incorporando “o trabalho precário e o assalariamento no setor de serviços” (Antunes, 1985), aumentando a desigualdade e o crescimento na área de prestação de serviços. Sabe-se que esta é uma forma contraditória, porém inerente, de alimentar e perpetuar o modo de produção capitalista globalizado.
Ao agravar-se a complexidade dos problemas sociais, cresce na camada empobrecida e expropriada, demandas por serviços sociais que, devido ao Estado eximir-se de suas responsabilidades, transfere para o terceiro setor (organizações e iniciativas privadas) o atendimento a população necessitada com bens e serviços públicos, porém sem fins lucrativos. São formas de a própria sociedade buscar responder aos desafios do desenvolvimento conformando políticas que atendam e revertam o quadro ameaçador de pobreza e exclusão gerador de violência. Na verdade, procura-se dar a população menos favorecida, ou seja, àquela desprovida dos meios de produção, o mínimo para a garantia de sua sobrevivência.

Referências:
http://www.espacoacademico.com.br/037/37cdelgado.htm
ANTUNES, Ricardo. As metamorfoses do mundo do trabalho, São Paulo, Cortez, 1985

Maria das Dores e Rita de Cássia

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